27 Março – dia di mudjer kabuverdiana

No dia em que se celebra o dia da mulher cabo-verdiana, 27 de Março, a Kriolita realizou a sua primeira Roda de Conversa que abordou o tema das crenças limitadoras.

Antes de falarmos do nosso encontro e do tema em si, permitam-me enquadrar-me neste projeto chamado Kriolita.

Nos meus 35 anos de experiência como mulher, tenho passado por diferentes estágios de sentimento quanto à minha existência. Hoje, depois de algum trabalho, tenho algumas pistas sobre o ser cabo-verdiana.

Se por um lado desfrutamos da diversidade que nos é intrínseca devido às varias origens ancestrais que nos compõem, por outro acabamos por ser bastante iguais, partilhando um passado comum e limitador que advém das adversidades que a nossa sociedade enfrenta desde a sua origem, como o clima, a falta de chuva, a insularidade, a luta pela sobrevivência, entre outras características que moldam o nosso ser. Do choque de culturas, a censura praticada na era escravagista e colonial que interrompeu a historia do povo africano e impôs o sistema que conhecemos e no qual vivemos atualmente.

Em um ambiente naturalmente confinado e limitado, acabamos por construir um sistema de crenças conservadoras e diria eu, sem qualquer evidência científica ou experiência antropológica, pouco flexíveis. Esta é apenas a forma como vejo o meu mundo.

Assim, cresci num ambiente não muito propenso à expansão da minha espiritualidade e acabei me fechando em caixas de padrões estabelecidos e que interiorizei como se fossem verdades absolutas. Verdades que me limitaram durante mto tempo.

Hoje depois de varias quedas, mta dor e mtos desafios e convenhamos, com acesso à internet e aos conteúdos e lutas que em outras paragens já acontecem há muito mais tempo, finalmente entrei no meu processo de desconstrução.

Assim nasceu Kriolita, um lugar de fala meu e de todas as mulheres que quiserem falar sobre os seus desafios, desconstruir as verdades, desmistificar os conceitos sobre ser mulher, expandir a sua alma e o seu potencial.

Neste encontro com mulheres na sua maioria, já familiares aos meus olhos, conheci mulheres dentro delas que nunca tinha visto ou ouvido. Vi facetas, medos, anseios, desejos que julgava somente meus. Conectei-me com cada uma, como se fossem parte de mim e senti que a elas o mesmo aconteceu. Experimentei 3 horas de profundo amor e acolhimento. Regressei a casa extasiada.

Regressei a casa mais forte, mais confiante, mais esperançosa, de um futuro melhor para nós, mulheres cabo-verdianas. Estamos numa caminhada rumo à nossa consciência, à definição da nossa identidade, ao auto conhecimento e finalmente ao nosso propósito. Os nossos filhos podem sonhar com melhores tempos pois nós estamos no caminho certo para despertar.

Obrigada a cada uma que se deu sem reservas e que se dispôs a enriquecer o momento. Obrigada pela entrega, pela partilha e por me fazer acreditar que podemos lutar juntas, por é mais aquilo que nos une….

Feliz dia da mulher cabo-verdiana!

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