O Meu nome é Sara, tenho crises de pânico noturnas! Obrigada de Nada!

Vamos falar de Crises de Pânico? Uma mãe bancária com parafusos soltos não faria justiça aos seus títulos se não falasse desse tema. Já ouviram falar? Já tiveram, tinham no passado e não têm mais? Têm no presente? Pois eu tive e tenho. Normalmente são as mulheres as mais afetadas e costumam acometer pessoas normalmente mais ansiosas.

Pois bem, ontem deitei-me relativamente cedo e aparentemente bem, excetuando o nariz meio entupido, culpa da humidade típica desta época do ano. Quando estava quase a adormecer, creio eu, pelo menos já não estava consciente, aconteceu:

  1. Falta de ar;
  2. Sensação de desmaio;
  3. Batimento cardíaco disparado;
  4. Dor no peito

Despertei e pensei: “Fosgas esqueci de pôr as gotas e o nariz entupido favorece a intercorrência* dos episódios!”

*Aprendi esta palavra nas lides de mãe de uma filha com condição crônica. Não faço ideia se posso aplicar neste contexto mas gosto da palavra, significa repetição de ocorrências e peço que me corrijam as médicas de serviço caso eu esteja errada. Conheciam a palavra? Aproveitem que esta maluca não dura sempre.

Enfim, lá pus os pingos e virei-me para o outro lado e quando estava quase a chegar aos sonhos PIMBA, outra vez…acordei com aquela sensação de medo, coração a bater, garganta forte, o corpo alerta como se tivesse um perigo eminente. Fiz um esforço para não responder ao impulso de saltar da cama para percorrer a casa em busca do meliante e comecei os exercícios de respiração para acalmar o corpo e enviar a mensagem que se tratava apenas de mais uma crise de pânico e que na verdade não havia nada com o que se preocupar…

Antes eu não entendia o que estava a acontecer e corria para o cardiologista que depois dos exames me dizia que estava tudo bem e que possivelmente eu estaria a ter crises de pânico provocadas pela ansiedade.

“Os céticos vão pensar que isto é um disparate e que eu tenho idade para ter juízo!” Há uns dois anos esta crença me impediria de partilhar esta mazela convosco, mas depois de passar por algumas provações e dissabores estou-me literalmente nas tintas e o que importa é gritar bem alto: “O meu nome é Sara, eu tenho crises de pânico! Obrigada de nada!”

Sabem porque grito? Porque o mundo quer calar as pessoas, quer moldá-las e quer vê-las a competir umas com as outras. As pessoas sentem medo de se mostrar sem reservas e as vulnerabilidades são constantemente camufladas e mascaradas, não vá alguém se aproveitar delas. E assim seguem vivendo existências miseráveis achando que são as únicas no mundo a sentir determinadas emoções e estão em constante contradição com o corpo. Rindo quando querem chorar, sorrindo quando querem partir um prato, ficando quando querem fugir e dizendo sim quando o corpo pede não. E se falássemos das coisas e mostrássemos a nossa face sem máscaras e sem medo, não importa o que pensassem de nós, não seria uma oportunidade de encontrarmos apoio uns nos outros?

“Os fortes” dirão: Ah mas eu não posso mostrar fraquezas senão vão vencer-me.

A estes direi: “A vida não é um campo de batalha! Nós como bons mamíferos que somos precisamos de viver em comunidade e precisamos de afeto! Além disso mesmo que ninguém saiba, eu própria sei quais são as minhas sombras e ainda que não saiba, elas existem e condicionam a minha ação, portanto quer admita quer não, elas vão exercer influencia na minha vida. Esconder só fará com que me sinta cada vez mais sozinha, cada vez mais ansiosa e sabem quem vai acabar por derrotar-me? Eu própria! Não precisarei de ajuda de mais ninguém.

E grito mais uma vez: “Olá, o meu nome é Sara, eu tenho crises de pânico noturnas! Obrigada de nada!”.

E tu? Já tiveste crises de pânico? Sabias que as crises noturnas podem ocorrer sem que necessariamente tenhas tido um dia estressante? Podes bem ir para a cama calma e relaxada e sentir uma valente crise durante o sono? Sabias que há dicas e estratégias para evitar esse tipo de intercorrência. Sorry…não aguento rsrsrsrsrrs!!

Deixo aqui sugestões de links interessantes com informação sobre o tema pois como já disse não sou especialista em coisa alguma. Sou apenas uma kriolita maluca que tem vontade de falar! Vai la espreitar e se te sentires à vontade partilha connosco a tua experiência e incentiva outras pessoas a fazer o mesmo.

Vamos lutar para a normalização das nossas vulnerabilidades? Vamos!!!

4 comentários em “O Meu nome é Sara, tenho crises de pânico noturnas! Obrigada de Nada!

  1. Vivendo com isso desde os 20 anos, já tenho 44. Hoje lido melhor e me recupero com maior facilidade mas nem sempre foi assim. Terapia ajuda muuiiitoo. Aceitar a sindrome e deixar de fugir dela tb.

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  2. Olá, eu sou a Cimyck e a minha última crise foi a seis meses.
    Parece conversa de AA, mas é a realidade de quem vive com isso. Que teve de aprender técnicas para lidar com às crises. Porque elas não avisam e nem batem à porta antes de entrar. Entra sem pedir e faz estragos. Hoje já sei o que é e o que tenho que fazer. Mas, já fui às urgências várias vezes e sai sem saber ao certo o que era.
    Agora sei, graças a Deus. E, não tenho medo de falar que sou “SURTADA”. Hoje estou bem, mas amanhã. Logo se vê.

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